
Na última quinta-feira (16), a Prime Video lançou o último capítulo da trilogia Culpados, baseada nos livros da autora Mercedes Ron.
Sendo sincera: nunca fui fã da história — e nem li os livros —, mas assisti aos três filmes para tentar entender o fenômeno em torno deles.
Os dois primeiros longas, embora não sejam obras-primas, ainda conseguiram me prender. O roteiro era mais coeso, com uma trama que fazia sentido e personagens relativamente bem construídos. O final do segundo filme, no entanto, já dava sinais de bagunça, com uma enxurrada de revelações e dramas familiares concentrados em uma única festa.
Mas o terceiro filme… é um desastre (esse post contém um grande número de spoilers).
Um roteiro sem rumo
Nossa Culpa parece ter sido escrito às pressas — ou, como costumo dizer, por uma criança de 12 anos.
As cenas são desconexas, os arcos ficam pela metade e os personagens perdem toda a consistência.
Noah começa o filme viajando, conhece um rapaz no avião, vai ajudar na preparação do casamento da amiga Jenna, tenta se reorganizar profissionalmente e acaba se envolvendo novamente com Nick e tambem com o seu suposto “chefe”.
Já Nick vive um verdadeiro caos: o avô morre, ele herda a empresa, toma decisões desastrosas no trabalho aparentemente boas, se envolve com Sophia por aparência, trai ela algumas vezes com a Noah, lida com a morte repentina da mãe, descobre que vai ser pai e… entra em coma após um suposto atentado.
Se prepare porque o final piora…
Nick acorda do coma e, magicamente, Noah já deu à luz — a um bebê que claramente muda para um boneco em algumas cenas. Pouco depois, surgem Michael e Briar tentando sequestrar o bebê para se vingarem, em uma sequência tão mal filmada que beira o cômico. Nick, recém-saído do hospital, luta, e no fim, o cachorro salva ele. A policia chega, Briar é presa Micael ou morre ou é preso também (não entendi ao certo).
Depois de viverem tudo isso, Nick e Noah se casam.
É tudo tão apressado, tão mal costurado, que parece que o roteiro foi jogado num liquidificador.
Desfecho sem emoção
Mesmo sem ter lido os livros, acredito que Nick e Noah mereciam algo melhor — um encerramento digno, com amadurecimento, redenção, perdão e acompanhamento da gravidez.
O filme desperdiça qualquer chance de entregar isso.
Vale lembrar que Nossa Culpa foi gravado paralelamente ao segundo filme, o que talvez explique a falta de coesão. E, para piorar, os protagonistas, Nicole Wallace e Gabriel Guevara, viveram uma briga pessoal que prejudicou a divulgação e possivelmente as gravações. A falta de profissionalismo transparece em cena e nas divulgações (não se tem uma foto deles juntos nos eventos).
Reflexão final
Infelizmente, esse é mais um exemplo da pressa dos streamings em transformar livros populares em produções mal planejadas. A sensação é que falta cuidado com o roteiro, fidelidade com a obra original e, principalmente, respeito com os fãs.
Espero que o mesmo destino não recaia sobre Maxton Hall, que retorna com sua segunda temporada em novembro — e que até agora tem sido um dos acertos da Prime Video.
Nota final: ★★☆☆☆ (2/5)
Visual bonito, mas história perdida no caminho.

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