
Não é de hoje que a arbitragem brasileira é alvo de críticas e debates. Com a implantação do VAR (árbitro assistente de vídeo), a expectativa era de que os erros diminuíssem, já que a tecnologia permite a revisão de lances polêmicos. No entanto, o que se vê nos últimos jogos é justamente o contrário: erros persistem — e, em muitos casos, com o auxílio do próprio VAR.
Primeiro, é importante reconhecer a disponibilização dos áudios do VAR pela CBF, um avanço em termos de transparência. Ainda assim, chama atenção a confusão nas comunicações: em boa parte das gravações, o ambiente é tão ruidoso que chega a ser difícil entender o que os árbitros falam. É quase um “barulho de feira”, e fica a dúvida de como conseguem se ouvir e se concentrar em lances decisivos.
Exemplo disso, é o vídeo abaixo de um lance entre o jogo do Grêmio contra o CSA válido pela Copa do Brasil em maio deste ano. Nele, nota-se o grande barulho e gritaria entre jogadores e arbitragem. O VAR chama o árbitro para mostrar que não houve falta do jogador do Grêmio em cima do CSA. Mesmo com as imagens e análise do VAR, o juiz marca falta e anula o gol que poderia levar o jogo para definição nos pênaltis e uma possível classificação do Grêmio.
Neste fim de semana, diversos jogos foram marcados por erros de arbitragem. O mais comentado ocorreu no Choque-Rei, entre São Paulo e Palmeiras, no Morumbi. O lance polêmico envolveu um contato dentro da área entre o palmeirense que escorregou e atingiu a canela de Tapia, jogador do São Paulo. Por mais que tenha quem diga que “foi sem querer”, é válido ressaltar que o pé do atleta do Palmeiras estava alto, e que atingiu em cheio o jogador adversário. Os atletas tricolores pediram pênalti, mas o árbitro Ramon Abatti Abel, da FIFA, considerou o lance “choque normal”.
Naquele momento, o São Paulo vencia por 2 a 0. Depois, o Palmeiras reagiu e venceu de virada por 3 a 2. A questão que fica é inevitável: será que, se o pênalti fosse marcado e convertido, o jogo teria o mesmo desfecho?
Durante a transmissão, o comentarista de arbitragem Paulo César de Oliveira, da Rede Globo, afirmou que o lance deveria ter sido marcado como pênalti — opinião compartilhada por outros comentaristas e jornalistas esportivos ao longo da noite em programas pós-jogo.
A imagem é clara: o jogador do Palmeiras acerta as pernas de Tapia dentro da área, e é quase um milagre o atleta são-paulino não ter se lesionado, ainda mais levando em consideração a maré de lesões que o Tricolor enfrenta. O mais curioso é que o árbitro não chegou a acionar o VAR para revisar o lance.
No sábado (04), outro lance polêmico ocorreu em Bragantino x Grêmio, quando o árbitro marcou pênalti para o time paulista. Os gremistas reclamaram que o defensor estava com o braço colado ao corpo, mas, após revisão do VAR, a penalidade foi confirmada. No áudio é possível ouvir “o braço dele está antinatural” afirma o árbitro do campo Lucas Casagrande após ter sido acionado pelo VAR Castro Júnior. Pelas imagens é possível ver o braço do jogador do time gaúcho com o braço junto ao corpo.
Poderíamos escrever um livro inteiro sobre os erros de arbitragem no futebol brasileiro — mesmo após a implantação do VAR. Antes, o argumento era de que os árbitros erravam por não terem recursos para rever os lances em tempo real. Hoje, com a tecnologia à disposição, diversas câmeras espalhadas pelo estádio e uma equipe exclusiva para analisar jogadas duvidosas, os erros continuam acontecendo — e, muitas vezes, de forma grotesca.
Seja por uma má interpretação entre a arbitragem de campo e o VAR, seja pela omissão no uso da tecnologia, como vimos no clássico entre São Paulo e Palmeiras, a verdade é que o problema vai além dos equipamentos: está na tomada de decisão e na falta de critério que ainda marcam o futebol brasileiro.
Em todos esses casos, os times que se sentiram prejudicados alegam que os erros influenciaram diretamente no resultado das partidas, seja com empates ou derrotas.
É urgente que a Comissão de Arbitragem da CBF reveja o processo de formação e atualização dos árbitros, assim como o uso correto da tecnologia. O VAR deveria ser uma ferramenta para trazer clareza e justiça ao futebol — não mais um motivo para confusão e desconfiança. No fim das contas, o que deveria ser destaque: o futebol, as jogadas e o desempenho das equipes, acaba ficando em segundo plano. Infelizmente, a vergonhosa arbitragem com seus erros recorrentes continuam sendo o principal assunto após o apito final.

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