Shakira: Loba atrasa mais brilha junto com a lua cheia

A cantora Shakira durante megashow na praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro — Foto: PABLO PORCIUNCULA / AFP

Mesmo com mais de uma hora de atraso, o show de Shakira em Copacabana começou cercado de expectativa e também de especulações. Nas redes sociais, circulou a informação de que seu pai, de 94 anos, teria passado mal pouco antes da apresentação. Nada foi confirmado oficialmente por sua equipe, mas, se isso de fato aconteceu, o que se viu no palco foi uma demonstração clara de profissionalismo.

Situações assim inevitavelmente lembram outros momentos marcantes da música pop, como quando artistas sob forte impacto emocional ainda assim escolhem subir ao palco e entregar tudo ao público como Katy Perry ao realizar um show em São Paulo quando pouco antes seu esposo na época pediu o divórcio por telefone. E foi exatamente isso que Shakira fez: transformou uma noite potencialmente difícil em um espetáculo grandioso.

Com mais de 30 anos de carreira, a cantora colombiana realizou em Copacabana o maior show de sua trajetória, reunindo cerca de 2 milhões de pessoas em um evento promovido pela Prefeitura do Rio de Janeiro, dentro do projeto “Todo Mundo no Rio”. Havia gente de todos os cantos, diferentes estados, diferentes países, como se o mundo inteiro tivesse se encontrado ali, à beira-mar.

No palco, Shakira apresentou uma verdadeira viagem por sua carreira. Figurinos diversos, coreografias intensas e uma setlist que equilibrou clássicos como “Estoy Aquí” e músicas mais recentes. Entre elas, a parceria com Anitta, “Choka Choka”, que trouxe ainda mais conexão com o público brasileiro.

Um dos momentos mais comentados veio após a performance de “TQG”, música que faz referências ao fim de seu relacionamento com Gerard Piqué. A reação da plateia foi imediata, com gritos em coro direcionados ao ex-jogador. Era difícil não perceber a dimensão simbólica daquele instante: milhões de pessoas assistindo a uma artista no auge, ressignificando sua própria história diante de todos.

Em um dos trechos mais emocionantes da noite, antes de cantar “Soltera”, Shakira fez uma dedicatória às mães solo brasileiras:

“O Brasil tem mais de 20 milhões de mulheres solteiras, sem ajuda, que têm que lutar a cada dia para sustentar sua família. Eu sou uma delas.”

Sem entrar em detalhes, ela também falou sobre os desafios pessoais que enfrentou nos últimos anos e destacou a importância de seguir em frente. Em português, arrancou aplausos ao reforçar uma mensagem de força e união:

“Nós, mulheres, cada vez que caímos, nos levantamos mais sábias, mais fortes e mais resilientes. As mulheres já não choram. Sozinhas podemos ser mais vulneráveis, mas juntas somos invencíveis.”

A brasilidade também teve espaço especial no show. Shakira emocionou ao cantar “Leãozinho” junto a Caetano Veloso e mencionar que a canta para seus filhos antes de dormir. Recebeu outros convidados importantes no palco, como Maria Bethânia, em um momento que, apesar de alguns desencontros musicais junto a bateria da Unidos da Tijuca, foi sustentado pelo coro potente da plateia. Ivete Sangalo também marcou presença, relembrando a parceria das duas no Rock in Rio 2011 e levantando o público com “País Tropical”.

O encerramento veio com grandes hits, como “Waka Waka” e a explosiva “Music Sessions” parceria com o dj e produtor argentino Bzrp, levando a praia inteira a cantar junto. No decorrer da música Shakira ainda desceu do palco, dançou junto aos fãs e distribuiu carinho um gesto que reforçou a conexão construída ao longo de toda a noite.

Como em todo grande evento, não faltaram críticas. Alguns apontaram uso de playback ou insegurança em determinados momentos. Outros questionaram aspectos técnicos. Mas, diante da dimensão do espetáculo e das possíveis circunstâncias pessoais enfrentadas pela artista, essas críticas parecem pequenas perto do que foi entregue.

No palco de Copacabana, Shakira reafirmou por que é uma das maiores artistas da América Latina. Não apenas pelos prêmios ou números, mas pela capacidade de reunir milhões de pessoas, emocionar, representar e transformar uma apresentação em algo maior do que música.

Foi mais do que um show. Foi um marco, e a “Loba” como é conhecida pelos fãs, brilhou em Copacana nessa noite de lua cheia.


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