“O hexa vem”, Vanessa da Mata e músicas raras: os momentos que marcaram o show dos Jonas Brothers em SP

Foto: Clayton Felizardo (Brazilnews)

Os Jonas Brothers realizaram na noite desta quarta-feira (13) o show de encerramento da turnê JONAS20: Greetings From Your Hometown em São Paulo, no Allianz Parque. A apresentação única no Brasil celebrou os 20 anos de carreira do trio formado por Kevin Jonas, Joe Jonas e Nick Jonas, misturando nostalgia, surpresas e referências à cultura brasileira. (gshow)

A abertura ficou por conta do DJ Deleasa, irmão de Danielle Jonas e cunhado de Kevin. O artista apostou em remixes de músicas internacionais e brasileiras, mas o público só demonstrou maior empolgação quando tocou “Festa no Apê”, de Latino. Mesmo esbanjando simpatia com camisa e bandeira do Brasil, o DJ encontrou uma plateia ainda morna mas esforçada — talvez pelo repertório, talvez pelo cansaço típico de uma quarta-feira à noite.

O show principal começou pouco depois das 20h30, exatamente como previsto pela organização. Após uma introdução em português falando sobre “estar em casa”, a banda abriu a apresentação com “Shelf”, faixa do álbum A Little Bit Longer (2008). A escolha surpreendeu os fãs, já que a música não costuma aparecer frequentemente nas setlists da turnê. A reação foi imediata: o Allianz Parque virou um coral nostálgico logo nos primeiros minutos.

Principais momentos da noite

Escolha dos fãs (Fan Request)

Um dos quadros mais queridos da turnê é o momento em que fãs escolhidos pela banda têm direito a pedir músicas específicas do repertório.

A primeira fã selecionada chamou atenção com um cartaz criativo usando comidas brasileiras como coxinha e brigadeiro para representar músicas diferentes. Joe Jonas escolheu justamente o brigadeiro, que escondia “A Little Bit Longer”, faixa-título do álbum lançado em 2008 e escrita por Nick Jonas durante o período em que recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1.

Já a segunda escolha da noite foi “Hold On”, música sobre resistência e esperança em momentos difíceis. O pedido veio de um fã marroquino que viajou sozinho para assistir ao show em São Paulo.

Participações brasileiras

Horas antes do show, fotos da possível setlist começaram a circular nas redes sociais indicando participações especiais de duas artistas brasileiras: Vanessa da Mata e Luísa Sonza.

Vanessa da Mata foi a primeira convidada a subir ao palco. Joe Jonas, que já declarou diversas vezes admiração pela cantora brasileira, dividiu os vocais de “Boa Sorte/Good Luck”, clássico originalmente gravado com Ben Harper. O estádio inteiro acompanhou o dueto em coro, em um dos momentos mais emocionantes da noite. A apresentação ainda teve brincadeiras envolvendo o desempenho do Brasil na Copa do Mundo de 2026 e reforçou a conexão do trio com o público brasileiro.

Mais tarde, Luísa Sonza apareceu para cantar “What We Are”, parceria lançada no álbum solo de Joe Jonas, Music For People Who Believe in Love. A participação trouxe uma energia mais pop e contemporânea ao repertório.

Figurino com referências ao Brasil

O trio também apostou em figurinos cheios de referências brasileiras. Nick usava uma jaqueta amarela, Kevin uma verde e Joe uma azul, remetendo às cores da bandeira do Brasil. A peça que mais chamou atenção, porém, foi a jaqueta jeans de Joe Jonas com a frase “O HEXA VEM” estampada nas costas, detalhe que rapidamente viralizou nas redes sociais e portais de esporte. Até o baterista Jack Lawless entrou no clima usando uma camisa da Seleção Brasileira.

Foto: Clayton Felizardo (Brazilnews)
Foto: Clayton Felizardo (Brazilnews)

A participação de Big Rob

Outro momento nostálgico foi a entrada de Big Rob Feggans, ex-segurança da banda e voz marcante do rap em “Burnin’ Up”. Figura conhecida pelos fãs da era Disney, Big Rob participou da performance da música e cantou pela primeira vez no Brasil, arrancando gritos dos fãs mais antigos.

O destaque solo de Kevin Jonas

Durante a turnê, existe um bloco chamado “Mega Mix”, no qual os irmãos Nick e Joe Jonas revisitam músicas de seus projetos paralelos e carreiras solo. O irmão mais velho costuma ter seu momento a parte com a música “Changing” lançada por ele em 2025.

Mas Kevin surpreendeu o público ao cantar pela primeira vez “Little Things”, faixa ainda inédita oficialmente. O Allianz Parque iluminado pelos celulares transformou o momento em um dos mais emocionantes do show.

Muitas vezes visto como o irmão “mais discreto” da banda, Kevin mostrou segurança vocal, carisma e uma presença de palco que surpreendeu parte do público. Ao caminhar sozinho até o centro da passarela do palco, foi ovacionado por aplausos e gritos, os mais calorosos da noite.

Nostalgia, mas também problemas de organização

Com cerca de 28 músicas no repertório principal, além do “Mega Mix”, que adicionou trechos de outras 10 canções, o show conseguiu equilibrar hits clássicos, faixas mais recentes e momentos exclusivos para o público brasileiro.

Ainda assim, a experiência não foi perfeita.

Os ingressos VIP prometiam entrada antecipada, mas muitos fãs relataram falta de organização na fila. Segundo relatos nas redes sociais, o acesso acabou acontecendo simultâneamente ao da pista premium comum, gerando tumulto e empurra-empurra na entrada do estádio.

Outro ponto que chamou atenção foi a ocupação do Allianz Parque. Apesar de os ingressos terem aparecido como esgotados inicialmente, novas cargas foram liberadas semanas depois e a produção chegou a oferecer promoções e descontos. Mesmo assim, havia diversos lugares vazios, principalmente no fundo das pistas e em setores superiores.

A organização também realizou upgrades de cadeiras superiores para inferiores e fechou o anel superior do estádio. Muitos fãs atribuíram a situação ao fato de o show ser realizado em uma quarta-feira, ter sido anunciado com pouca antecedência (as vendas começaram apenas em março para uma apresentação única em maio) além do alto custo atual dos shows internacionais no Brasil.

Esse cenário se conecta a um fenômeno que vem sendo debatido globalmente na indústria da música: a chamada “blue dot fever” (“febre do ponto azul”). O termo faz referência aos mapas de venda da Ticketmaster, em que assentos disponíveis aparecem marcados como pontos azuis. Quando esses pontos dominam o mapa perto da data do evento, isso indica excesso de ingressos não vendidos, algo que vem acontecendo até mesmo em grandes turnês internacionais.

Ainda assim, mesmo com problemas de organização e setores sem ocupação total, o show dos Jonas Brothers conseguiu entregar exatamente aquilo que os fãs esperavam: nostalgia, carisma e a sensação de reencontrar uma banda que marcou a adolescência de toda uma geração.

Reprodução: Instagram Jonas Brothers


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