O domingo, 5 de julho de 2026, ficará marcado como mais um capítulo frustrante da Seleção Brasileira. A derrota por 2 a 1 para a Noruega, nas oitavas de final da Copa do Mundo, confirmou aquilo que muitos torcedores já vinham percebendo desde a fase de grupos: o Brasil não apresentou futebol suficiente para brigar pelo título.
A derrota começou antes de a bola rolar
Na minha visão, os problemas começaram muito antes da partida contra a Noruega.
A convocação foi cercada por um grande evento de marketing, com direito a espetáculo para anunciar os jogadores. Entretanto, dentro de campo, muitos atletas não corresponderam às expectativas criadas.
Durante a Copa, o Brasil venceu Marrocos, Haiti, Noruega (na fase de grupos) e Japão, mas mesmo nas vitórias a equipe demonstrava dificuldades coletivas, pouca criatividade e dependência de jogadas individuais.
Contra o Japão, por exemplo, a classificação só veio após muito sofrimento. Nas oitavas de final, diante de uma seleção europeia mais organizada, essas deficiências ficaram evidentes.
A Noruega é muito mais do que Haaland.
Durante toda a semana o assunto foi Erling Haaland. E com razão. O atacante é um dos maiores centroavantes do mundo e artilheiro da Premier League.
Nas redes sociais, muitos torcedores compartilhavam vídeos mostrando Gabriel Magalhães conseguindo marcá-lo em confrontos entre Arsenal e Manchester City.
Mas reduzir a Noruega apenas a Haaland foi um erro.
A equipe também conta com Martin Ødegaard, responsável por organizar praticamente todas as jogadas ofensivas; Antonio Nusa, um jovem extremamente veloz e habilidoso; além de Sørloth e outros jogadores que atuam nas principais ligas da Europa.
A Noruega mostrou exatamente isso: é um time coletivo.
Um primeiro tempo que já dava sinais do que viria
Antes mesmo dos três minutos, a Noruega chegou a balançar as redes. O gol acabou anulado por impedimento, mas serviu como um aviso.
Pouco depois, aos 13 minutos, o Brasil teve sua grande oportunidade.
Matheus Cunha sofreu pênalti, confirmado após revisão do VAR. Bruno Guimarães foi para a cobrança, mas bateu mal, em meia altura, facilitando a defesa do goleiro Ørjan Nyland.
Naquele momento, o Brasil perdeu a chance de mudar completamente o rumo da partida.
Mesmo criando alguns bons contra-ataques, a equipe foi perdendo confiança, enquanto a Noruega aumentava seu controle sobre a posse de bola.
Segundo tempo: domínio absoluto da Noruega
Se o primeiro tempo ainda foi equilibrado, a etapa final teve apenas um protagonista.
A Noruega passou a controlar completamente o jogo, trocando passes com tranquilidade e obrigando Alisson a fazer diversas defesas importantes. Sem o goleiro brasileiro, o placar poderia ter sido ainda mais elástico.
Endrick entrou e ainda teve duas boas oportunidades, uma delas muito clara, mas desperdiçou.
Aos 22 minutos do segundo tempo, Carlo Ancelotti colocou Neymar em campo.
Pouco depois veio a parada para hidratação.
Aos 35 minutos, Haaland mostrou por que é considerado um dos melhores atacantes do planeta. O camisa 9 subiu mais alto que a defesa brasileira e abriu o placar de cabeça.
Dez minutos depois, já aos 45 da etapa final, ele voltou a marcar. Recebeu livre na entrada da área, teve tempo para pensar e acertou um belo chute, decretando a classificação norueguesa.
Nos acréscimos, o Brasil ainda ganhou um pênalti convertido por Neymar, mas já era tarde demais.
Logo após o gol, Neymar se envolveu em discussões com o goleiro norueguês e depois com outros adversários, recebeu cartão amarelo e encerrou sua participação na Copa de forma vergonhosa.
Ancelotti também precisa assumir sua parcela de responsabilidade
Após o apito final, Carlo Ancelotti optou por não conceder entrevista ainda no gramado, deixando seu filho e auxiliar técnico falar com a imprensa.
Independentemente do motivo, a imagem transmitida para milhões de torcedores foi ruim. Em uma eliminação desse tamanho, o treinador principal normalmente é quem assume a responsabilidade diante da imprensa e dos torcedores.
Dentro de campo, as escolhas também deixam questionamentos. As substituições não surtiram efeito e o Brasil terminou a partida sem conseguir reagir ao domínio norueguês.
O que Paraguai, México e Cabo Verde ensinaram
O que mais chamou atenção nesta Copa foi o equilíbrio entre as seleções.
O Paraguai enfrentou a França sem medo.
O México fez um jogo duríssimo contra a Inglaterra.
E Cabo Verde, estreante em Copas do Mundo, levou a poderosa Argentina para a prorrogação, mostrando organização, entrega e personalidade.
Nenhuma dessas equipes possui o talento individual do Brasil.
Mas todas competiram.
Foi exatamente isso que faltou à Seleção Brasileira.
Os números explicam o jogo
A superioridade da Noruega também apareceu nas estatísticas.
– Posse de bola: Noruega 66% x 34% Brasil.
– Passes certos: Noruega 617 (91% de aproveitamento) x Brasil 279 (85%).
Os números mostram um time que controlou completamente a partida, enquanto o Brasil ficou praticamente restrito aos contra-ataques.
Enquanto isso não mudar…
O Brasil continua produzindo excelentes jogadores. O problema é transformar esse talento em uma equipe competitiva.
Enquanto a Seleção continuar dando mais atenção ao marketing do que ao desempenho dentro de campo, e enquanto alguns jogadores parecerem mais preocupados com a imagem fora das quatro linhas do que com o futebol apresentado nelas, o sonho do hexa continuará distante.
A Copa do Mundo de 2026 mostrou uma realidade que muitos torcedores não queriam enxergar: hoje, a camisa da Seleção Brasileira já não assusta como antes.
Enquanto seleções como Paraguai, México e Cabo Verde entraram em campo dispostas a competir cada bola como se fosse a última, o Brasil passou a impressão de ser um time sem identidade, sem intensidade e sem poder de reação quando foi pressionado.
A Noruega não venceu apenas porque tem Haaland. Venceu porque jogou como equipe. Marcou, pressionou, dominou a posse de bola, trocou mais passes e soube aproveitar os espaços deixados pelo Brasil.
É preciso parar de acreditar que apenas o talento individual resolverá os problemas da Seleção. Futebol moderno se vence com organização, comprometimento, preparo físico, inteligência tática e espírito coletivo.
O torcedor brasileiro não exige vitórias em todos os jogos. O que ele espera é ver uma equipe que lute até o último minuto, honre a camisa e enfrente qualquer adversário de igual para igual. A história da Seleção foi construída assim.
Se o Brasil quiser voltar a conquistar uma Copa do Mundo, precisará aprender com quem teve menos talento, mas demonstrou mais organização e mais vontade dentro de campo.
Caso contrário, o tão sonhado hexa continuará sendo apenas um sonho distante.
Deixe um comentário