Resenha Literária: Trilogia Maxton Hall, uma história que vai muito além do romance

Algumas histórias a gente lê, gosta e depois segue para a próxima. Outras permanecem com a gente mesmo depois de fechar o último livro. Para mim, a trilogia Maxton Hall, da Mona Kasten, é definitivamente uma dessas histórias.

Salve-me, Salve-se e Salve-nos foram livros que me prenderam de uma maneira que poucas histórias conseguiram. Comprei um por vez, conforme foram sendo lançados, e quando percebi já tinha terminado a trilogia. Mas o que fez Maxton Hall se tornar uma das minhas histórias favoritas não foi apenas o romance entre Ruby e James. Foi tudo o que existe por trás dele.

A história fala sobre amor, claro, mas também fala sobre família, responsabilidades, sonhos, pressão, inseguranças, amadurecimento e, principalmente, sobre aprender a escolher quem queremos ser.

Ruby: uma personagem com a qual me identifiquei

Ruby foi uma das personagens que mais me marcou.

Ela tem sonhos muito claros para o próprio futuro e luta para conquistá-los, mas, ao mesmo tempo, carrega responsabilidades com a família. Ela se preocupa com os pais, quer ajudá-los e muitas vezes precisa equilibrar aquilo que deseja para sua própria vida com aquilo que sente que precisa fazer por quem ama.

Essa parte da história me tocou muito porque mostra que nem sempre é simples simplesmente correr atrás dos nossos sonhos. Às vezes, temos responsabilidades, pessoas que dependem de nós e situações que nos fazem questionar se estamos sendo egoístas ao escolher aquilo que queremos.

E Ruby me fez pensar muito sobre isso: podemos amar e ajudar nossa família sem necessariamente abrir mão dos nossos próprios sonhos (me identifico com ela).

Também me identifiquei com uma questão mais pessoal da personagem Ember, irmã de Ruby: a relação com o próprio corpo e a autoestima. A história me fez refletir sobre a importância de nos aceitarmos como somos e de não permitirmos que padrões de beleza determinem o nosso valor. A personagem me tocou especialmente porque mostra que inseguranças relacionadas ao corpo podem existir mesmo quando, para quem está de fora, não existe motivo algum para isso.

Foi uma parte que, particularmente, me ensinou muito sobre autoaceitação e sobre olhar para mim mesma com mais carinho.

E então temos James Beaufort…

Se existe um personagem cuja evolução me marcou profundamente, e o meu favorito é o James.

No começo, ele é exatamente aquele personagem que dá vontade de revirar os olhos: rico, mimado, popular, arrogante e acostumado a conseguir tudo o que quer.

É muito fácil não gostar dele.

Mas a grande beleza da trilogia está justamente em acompanhar sua transformação.

Conforme conhecemos James de verdade, começamos a entender que existe uma pessoa por trás daquele comportamento. Ele carrega expectativas familiares, responsabilidades e uma pressão enorme para se tornar aquilo que seu pai espera que ele seja.

E acompanhar James começando a questionar tudo isso é uma das melhores partes da trilogia.

O garoto que inicialmente parece ter tudo começa a perceber que dinheiro, sobrenome e privilégios não significam necessariamente felicidade.

E sua evolução não acontece de uma hora para outra. Ele erra, toma decisões ruins, enfrenta consequências e precisa aprender a lidar com elas.

Mas ele também começa a lutar pelos próprios sonhos, desafiar aquilo que esperam dele e, principalmente, descobrir quem realmente quer ser.

Para mim, essa evolução foi uma das coisas mais bonitas da história.

De um playboy mimado para alguém disposto a enfrentar o próprio pai e lutar por aquilo em que acredita.

Família também é protagonista

Uma coisa que talvez não seja tão comentada quando falamos de Maxton Hall é o quanto a história é sobre família.

Ruby e James vêm de mundos completamente diferentes, mas os dois carregam problemas, expectativas e responsabilidades dentro de suas famílias.

E a história mostra que dinheiro não resolve tudo.

A família Beaufort tem poder, influência e riqueza, mas também possui conflitos, cobranças e feridas. E acompanhar a trajetória dos personagens secundários, especialmente a família de James, também foi muito importante para mim.

A trajetória da irmã dele me marcou especialmente. Sem entrar em spoilers, existe uma situação muito delicada envolvendo amadurecimento e superação, e gostei muito de acompanhar como ela enfrenta tudo isso.

É uma história que mostra que nem sempre precisamos ser fortes o tempo inteiro e que superar uma situação difícil também pode significar aceitar ajuda, reconhecer nossas fragilidades e continuar seguindo em frente.

Por que Maxton Hall me marcou tanto?

Acho que a resposta está justamente em tudo isso.

Não foi apenas pelo casal principal.

Foi pela Ruby tentando conciliar seus sonhos com as responsabilidades que sente que tem com os pais. É ela vencer seus traumas, e aprender o que é o sentimento do amor. Amor não só pela família, mas conseguir se entregar a alguém.

Foi pela forma como a história me fez refletir sobre amor e sobre até onde devemos nos sacrificar por quem têm valor na nossa vida.

Foi pela questão da autoestima e por me fazer pensar que eu também preciso aprender a me aceitar como sou.

Foi pela evolução do James e por vê-lo deixar de ser aquele garoto mimado que parecia ter tudo para se tornar alguém disposto a lutar pelo próprio futuro.

Foi pelos personagens secundários, que também possuem suas próprias histórias, dores e processos de amadurecimento.

E foi, principalmente, porque em algum momento eu deixei de apenas ler sobre Ruby e James e comecei a me enxergar em algumas partes daquela história.

Uma trilogia para quem gosta de sentir

Maxton Hall é aquele tipo de história que faz a gente sentir tudo.

A gente passa raiva.

Se apaixona.

Fica triste.

Torçe pelos personagens.

Questiona algumas decisões.

Se emociona com outras.

E, principalmente, acompanha personagens que não são perfeitos, mas que estão tentando descobrir como lidar com suas próprias vidas.

Por isso, se você está procurando apenas um romance entre uma garota bolsista e um garoto rico, talvez encontre muito mais do que esperava.

Maxton Hall é sobre amor, mas também é sobre família, sonhos, responsabilidades, amadurecimento e autoaceitação.

E talvez seja justamente por isso que essa trilogia tenha se tornado uma das minhas favoritas.

E agora, para quem conheceu Ruby e James através da série…

A história também continua nas telas. ❤️

A terceira temporada de Maxton Hall – O Mundo Entre Nós está confirmada para dezembro de 2026 no Prime Video e será baseada em Salve-nos, o terceiro e último livro da trilogia.

Depois de tudo o que esses personagens viveram, só nos resta esperar e torcer para que a adaptação da Amazon consiga transmitir nas telas toda a emoção que a trilogia despertou em quem a leu.

Até dezembro, Maxton Hall. ❤️📚


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